Published 2025
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Evita, mas não elimina: estigma e o uso das profilaxias pré-exposição e pós-exposição sexual no contexto do trabalho sexual entre mulheres cisgênero de São Paulo

  • 1. Universidade de São Paulo, Brasil
  • 2. University of São Paulo
  • 3. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
  • 4. Federal University of Rio de Janeiro

Description

Resumo Nas últimas quatro décadas, pesquisas têm comprovado, junto com o ativismo, que a redução dos estigmas deve ser um eixo central das políticas de prevenção. Porém, esses elementos persistem como barreiras e motivadores para a aceitabilidade e uso das tecnologias biomédicas entre as trabalhadoras sexuais cisgênero. Este artigo explora tal paradoxo ao problematizar a efetividade das profilaxias pré e pós-exposição em um contexto marcado por estigmas sobre a prostituição e o HIV/aids. Nossas análises baseiam-se em entrevistas em profundidade com trabalhadoras sexuais cisgênero usuárias das profilaxias, produzidas em 2015 e 2018/2019. Recorremos à análise temática de quatro categorias relacionadas à discussão proposta segundo o Modelo de Estigma e Discriminação em Saúde: negociações da prevenção, representações sobre o HIV/aids, motivações para uso e percepções sobre a PEP e/ou PrEP. Os resultados demonstram que a busca por maior autonomia para o autocuidado direciona o interesse por essas tecnologias. Essa motivação, porém, visa contornar os estigmas e desigualdades de poder que permeiam as práticas de prevenção. Localizando a discussão no contexto dos programas de IST/aids no Brasil na última década, sugerimos a retomada de políticas que considerem fatores estruturais, especialmente o estigma, como as "primeiras barreiras" de prevenção no contexto da prostituição.
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